|
Câncer
de Bexiga
No
Brasil, segundo estimativa para o ano de 1996, a incidência de câncer
de bexiga (CB) nos homens foi a quarta e nas mulheres a nona neoplasia
mais freqüente. No país, há maior incidência
do CB nas regiões industrializadas (1). Nos EUA, sua incidência
aumentou 36% entre 1950 e 1990, mas a mortalidade diminuiu 8% entre 1980
e 1995. É três vezes mais freqüente em homens do que
em mulheres. Sua incidência aumenta com a idade, geralmente ocorre
após os 60 anos e é raro antes dos 40 anos (2,3).
|
Estudo
sobre Incidênciarealizado entre 1995 e 1997 nos Estados
Unidos
|
|
Idade(anos)
|
Homens(1
em cada)
|
Mulheres(1
em cada)
|
|
0-39
|
3437
|
10000
|
|
40-59
|
226
|
699
|
|
60-79
|
42
|
146
|
|
do
nasc. até a morte
|
29
|
85
|
fonte:
American Cancer Society
Os carcinomas
de células transicionais representam mais de 94% das neoplasias
malignas de bexiga, seguido do carcinoma espinocelular e adenocarcinoma
com 3% e 2%, respectivamente. O padrão de crescimento do CB é
papilífero e nodular ou misto, em 70% e 30% dos casos, respectivamente
(2).Todos pacientes com carcinoma limitado ao urotélio (estadio
Ta) ou com invasão da lâmina própria (estadio TI)
são considerados portadores de CB superficial. Os pacientes com
carcinomas que infiltram a camada muscular são classificados como
portadores de CB invasivo (estadio T2-T4). Na sua apresentação
inicial, o CB é superficial em aproximadamente 70% dos casos e
o restante é invasivo.
Câncer
Superficial de Bexiga
Os pacientes com CB superficial recidivam 50% a 75% no primeiro ano após
a ressecção endoscópica e 10% a 20% vão apresentar
progressão da doença. Até três quartos dos
pacientes que recidivam apresentam recidivas posteriores (4,5,6). Pacientes
portadores de tumores únicos recorrem em 46% e os múltiplos
em 73% (7,8,9).A recidiva e a progressão no estadio Ta e T1 variam
conforme o grau histológico. Em 1983, um estudo multi-institucional
americano não mostrou diferença significativa da recorrência
entre tumores do grau I e II de Mostofi (30% e 38%) em 249 pacientes avaliados
por 1 ano. Entretanto, pacientes com grau III tiveram 70% de recidiva.
Em 3 anos de seguimento, a recidiva foi de 50% no grau 1,59, no grau II
e de 80% no grau III. Neste período, a progressão do estadio
Ta e T1 foi de 48% e 70%, respectivamente (4).O carcinoma do estadio T1
representa 30% dos casos de CB superficial (10). São mais indiferenciados,
sendo que 50-60% são do grau II e 30-40% do grau III de Mostofi.
Os pacientes do estadio T1, grau III são considerados de mau prognóstico,
pois recidivam 50-80% entre 2 e 5 anos e progridem em 33-48% dos casos.
Estes carcinomas representam 60% dos tumores superficiais que progridem
(4).O carcinoma "in situ" (CIS) recidiva em 80-90% e progride
em 60-80% dos casos em 5 anos. O CIS difuso, particularmente quando acompanhado
de sintomas irritativos e de tumor papilífero, apresenta mau prognóstico.
LAMM. em 1992, revisando a literatura, relatou que a progressão
média do paciente portador de CIS é de 54% (6).Os tumores
superficiais podem variar na sua agressividade biológica, desde
um comportamento benigno, comuns aos tumores bem diferenciados, até
agressivo como os carcinomas anaplásicos.
Estadio
e fatores prognósticos no CB superficial
Os
carcinomas superficiais de bexiga são classificados pela anatomia
patológica em três tipos, segundo a classificação
TNM - UICC 1997 (10):
|
Estadio
|
Característica
anatomopatológica
|
|
PTis
|
Neoplasia
superficial, não papilífera, intraepitelial
|
|
PTa
|
Carcinoma
papilífero confinado ao urotélio vesical
|
|
PT1
|
Carcinoma
papilífero invade o tecido conjuntivo subepitelial
|
Os
tumores superficiais são divididos em dois grupos prognósticos:
de baixo e alto risco para recidiva e progressão da doença.
Os de alto risco são os carcinomas indiferenciados (grau III de
Ash), maiores que 3 cm, associados ao CIS focal ou multifocal, do estadio
T1, aneuplóides, com invasão vascular e/ou linfática,
multifocais, tumores que recidivam em menos que 2 anos e persistência
da citologia oncótica urinária positiva, sem lesão
associada do trato superior. Podem ocorrer associações destas
características no mesmo caso (3,4,5,6,7,9,11).
Indicações
da imunoterapia intravesical
Os pacientes de alto risco são preferencialmente submetidos à
imunoterapia com BCG liofilizado. No mundo, existem sete cepas do BCG
e no Brasil se utiliza a cepa Moreau-Rio de Janeiro (6,12,13).CALMETTE
e GUÉRIN isolaram o bacilo Mycobacterium bovis (BCG), uma forma
de tuberculose animal no Instituto Pausteur, em 1921. Em 1976, MORALES
et al. introduziram a imunoterapia com BCG liofilizado para o tratamento
do CB superficial. É utilizado como agente profilático,
para reduzir a recorrência e como terapêutico, na doença
residual (ressecção parcial o tumor) ou no CIS (14).A terapia
é mais efetiva quando se realiza a ressecção completa
do tumor. Nos casos com tumor papilífero na uretra prostática
ou CIS, deve-se proceder a ressecção endoscópica
da próstata para avaliar na histopatologia se há invasão
do estroma prostático. Pacientes com invasão do estroma
prostático devem ser tratados com cistectomia (6).
Resultados
O BCG é o mais efetivo agente para o tratamento do CIS com resposta
completa entre 70% a 80%, em coletânea de mais de 1000 pacientes
(7). Aproximadamente, 70% dos pacientes mantêm a resposta completa
por 5 ou mais anos (15,16).Lamm avaliou seis estudos randomizados em pacientes
portadores de CB superficial de alto risco. O beneficio médio do
BCG profilático foi de 42%, sendo que cinco destes estudos com
significância estatística. Os pacientes recidivaram em média
31% com BCG, enquanto no grupo controle 73% (6).O Southwest Oncology Group
comparou o BCG Tice com mitomicina C 20mg em 453 pacientes de alto risco
randomizados do estadio Ta e T1. Ambos tratamentos foram instituídos
semanalmente por 42 dias e após, mensalmente durante 1 ano. No
braço com mitomicina C, o tumor apresentou recidiva em 33% dos
pacientes com tempo médio para recorrência de 18.4 meses.
No braço BCG, a recidiva foi significativamente diminuída
para 21%, com média de 9.2 meses (p<0.001) (17).Estudos randomizados
investigaram os efeitos do BCG na progressão da doença.
A progressão diminuiu de 28% (48 de 170 pacientes) no grupo controle
tratado apenas com ressecção para 14% (23 de 166 pacientes)
no tratado com ressecção e BCG intravesical (p < 0.001)
(24). Em outro estudo, Herr mostrou que a morte pelo câncer diminuiu
de 37% para 12% (p<0.01) e que a cistectomia foi menos indicada, de
42% para 20% (p<0.0001) em pacientes tratados com BCG (18).A terapia
de manutenção com BCG melhora a sobrevida livre de doença.
A manutenção com BCG em séries 3 instilações
semanais aplicadas no 3º, 6º meses e a cada 6 meses por 3 anos,
diminuiu a recorrência tumoral quando comparada com um ciclo único
de seis semanas (p<0.0001) (17). No grupo que realizou o ciclo de indução
com BCG, 50% dos pacientes estiveram livres de doença e aumentou
para 83% no grupo que recebeu manutenção (p<0.0001) (l7,18,19,20).No
Hospital do Câncer - AC Camargo, foram avaliados 70 pacientes portadores
de carcinoma superficial de bexiga, 55 (78,57%) do estadio pTa e 15 (21,43%)
do pT1, submetidos a tratamento adjuvante com BCG liofilizado Moreau-Rio
de Janeiro, com seguimento mediano de 48 meses. Trinta e sete pacientes
receberam 40 mg (2 x108 Micobactéria bovis) e 33 receberam 20 mg
(2 x108) em ciclos de 6 aplicações por ciclo: semanal, quinzenal,
mensal e bimensal. A recidiva no estadio Ta ocorreu em 29 pacientes (52,73%)
e a progressão ocorreu em 7 (12,73%).A recidiva no estadio T1 ocorreu
em 6 pacientes (40,00%) e a progressão ocorreu em 2 (13,33%). Nem
a recidiva (p=0,382) e nem a progressão (p=0,950) apresentaram
significância estatística entre os dois estadios.Da mesma
forma, os pacientes com tratamento prévio, tamanho do tumor maior
que 3 cm, lesão múltipla e grau III de Ash e dose do BCG
e suas complicações não apresentaram significância
estatística entre os grupos.O que foi relevante para a progressão
da doença foi a recidiva precoce na cistoscopia de controle após
o ciclo semanal, definida por recidiva tumoral papilífera ou presença
de CIS no urotélio vésico-prostático. Cinqüenta
e dois pacientes não a apresentaram e destes apenas 2 (3,85%) evoluíram
com progressão da doença. Em contraste, 15 pacientes apresentaram
recidiva precoce e destes 8 (53,33%) evoluíram com progressão
da doença (p=0,0001).ConclusõesEm conclusão, os resultados
na literatura mostram que o BCG liofilizado reduz a recidiva, prolonga
o intervalo livre de doença, atrasa a progressão da doença,
preserva a bexiga e diminui a mortalidade pela doença (19,20,22).
A imunoterapia com BCG deve ser aplicada com ciclo de manutenção.
Os pacientes que apresentam recidiva precoce após o ciclo indução
(1 aplicação semanal de BCG liofilizado por 42 dias), devem
ser considerados como um subgrupo de pacientes de alto risco para progressão
da doença (19,22).
Câncer Invasivo de Bexiga
Os pacientes portadores de carcinoma invasivo de bexiga apresentam, via
de regra, doença agressiva.
Estádio e fatores prognósticos no CB invasivo
Os carcinomas invasivos são tumores mais indiferenciados do que
os carcinomas superficiais. O padrão de crescimento tumoral sólido
ou nodular tem pior prognóstico do que o papilar. À histologia,
a infiltração tentacular da muscular (pequenos nichos da
neoplasia) favorece mais a metástase do que a infiltração
em bloco.No diagnóstico inicial, a metade destes pacientes apresentam
micrometástases à distância, indetectáveis
por meios diagnósticos hoje disponíveis. Quando submetidos
à cistectomia radical, pelo menos 50% destes pacientes vão
apresentar doença sistêmica em dois anos (20,21).O carcinoma
invasivo de bexiga é classificado pela anatomia patológica
em três estádios: T2, T3 e T4, sendo os dois últimos
sub-estadiados, segundo a classificação TNM - UICC 1997
(10,23):
| Estadio |
Característica
anatomopatológica |
| pT2 |
Tumor
invade a camada muscular |
| T2a |
invasão
da muscular interna |
| T2b |
invasão
da muscular externa |
| pT3 |
Tumor
invade tecidos perivesicais |
| T3a
|
invasão
microscópica |
| T3b |
invasão
macroscópica (tumor extra-vesical) |
| pT4 |
Tumor
invade quaisquer dos seguintes órgãos:próstata,
útero, vagina, parede abdominal, parede pélvica |
| T4a
|
invasão
da próstata, útero ou vagina |
| T4b |
invasão
da parede pélvica ou abdominal |
Nos pacientes portadores de carcinoma de células transicionais
invasivo de bexiga são considerados fatores de mau prognóstico:
os estádios mais infiltrativos (T4 pior que T3), grau indiferenciado,
aneuploidia, a presença de hidronefrose, o comprometimento linfonodal
Pélvico (N+), a invasão vascular e/ou linfática,
a invasão do carcinoma transicional no estroma prostático.As
metástases hepática, óssea e visceral apresentam
pior evolução clínica que a metástase linfática,
de pele e de pulmão. Da mesma forma, influenciam negativamente
o prognóstico, a expressão positiva de alguns mercadores
moleculares, como: p53, Rb, receptores EGF, citoqueratina, transferrina
18, antígeno T, amplificação de oncogenes e etc (24,25).TratamentoO
tratamento aceito como ideal para o paciente portador de CB invasivo é
a cistectomia radical com linfadenectomia ilíaco-obturadora. No
homem, a próstata é removida em monobloco com a bexiga e
na mulher, a bexiga é retirada em conjunto com o útero e
anexos (esvaziamento pélvico anterior). A sobrevida livre de doença
destes pacientes tratados pela cirurgia radical está ao redor de
50% em 5 anos de seguimento. De maneira geral, a sobrevida do paciente
diminui com o aumento do estádio. Os pacientes do estádio
T3b-4 apresentam recorrência da doença maior em sítios
a distância do localmente. Este grupo de pacientes, em especial,
são objetivo de intensa pesquisa clínica para utilização
de terapia combinada: rádio-quimioterapia, quimioterapia neo-adjuvante
e adjuvante.A análise dos resultados destas associações
terapêuticas ainda são discutíveis na literatura médica,
por ocorrerem vamos fatores confundidores da análise estatística,
como: seleção e número de pacientes por grupo, método
de avaliação dos resultados, mono versus poliquimioterapia,
dose e esquema da terapia e etc (24,25).A ressecção endoscópica
pode ser indicada em casos extremamente selecionados (T2 de baixo volume
tumoral, sem associação com CIS urotelial e de histologia
favorável) com sobrevida livre de doença, observada em até
67%-78%. A cistectomia parcial passa pelo mesmo rigor de seleção
para sua indicação (25).Classicamente, a reconstrução
do trato urinário é feita a ureteroileostomia cutânea,
desde sua criação por Bricker, em 1950. É a reconstrução
mais realizada no mundo, principalmente indicada para pacientes com condições
clínicas precárias.Nos dias atuais, a cistectomia radical,
seguida da reconstrução do trato urinário, pela neobexiga
ortotópica ou pelo reservatório urinário continente,
é realizada com sucesso em vários centros médicos.
Os avanços da técnica cirúrgica como: conhecimento
dos princípios da detubulização intestinal (teoria
de Laplace), das técnicas de reimplante uretero-ileal (técnica
de Le Duc), da continência uretral, dos mecanismos anti-refluxos
urinários, dos fios de sutura, dos cateteres, das sondas, da antibioticoterapia,
dos cuidados peri-operatórios, da anestesia, do suporte clínico
das unidades de terapia intensiva impulsionaram esta modalidade de reconstrução
urinária.A experiência do cirurgião, as condições
locais do intestino e as particularidades de cada caso influenciam na
escolha do segmento intestinal utilizado (íleo, cólon direito,
sigmóide, estômago e suas combinações) (26).A
neobexiga ortotópica pode ser indicada para os pacientes que apresentem
as seguintes condições:1. Desejo do paciente para a manutenção
da sua "fisiologia urinaria normal". O envolvimento do paciente
é fundamental para o sucesso e aceitação do novo
reservatório urinário. O objetivo principal do reservatório
é "imitar" as condições miccionais do paciente.
2. Apresentar condição clínica para ser submetido
à cirurgia de grande porte. 3. Ausência de metástase
à distância. 4. Ausência de metástases linfonodais
pélvica ou abdominal. Os suspeitos durante a linfadenectomia ilíaco-obturadora
devem ser submetidos a exame de congelação. Se o resultado
for positivo, o procedimento é contra-indicado por significar presença
de doença disseminada. Em média, estes pacientes sobrevivem
20% em 5 anos. Pacientes com gânglios microscopicamente comprometidos
e em número menor que 5 podem se beneficiar da cistectomia radical,
com sobrevida de 50% em 5 anos (26). 5. Ausência clínica
de invasão neoplásica em órgãos adjacentes,
avaliados no pré-operatório pela ultra-sonografia e tomografia
computadorizada ou ressonância magnética abdominal e pélvica.
6. Ausência de metástase óssea. A cintilografia óssea
deve ser realizada no paciente com fosfatase alcalina elevada no pré-operatório.
7. Ausência de carcinoma de células transicionais invasivo
ou presença de carcinoma "in situ " na uretra prostática.
A presença de carcinoma de células transicionais pode indicar
presença de carcinoma invasivo no estroma prostático. A
sua presença significa maior comprometimento dos linfonodos pélvicos
e a sobrevida média em 5 anos do paciente varia de 0 A 20%. A presença
de carcinoma papilífero superficial na uretra prostática
(ECTA) não contra-indica a cirurgia, desde que respeitado margem
uretral livre, com 2 cm da lesão distante da uretra membranosa.
Nestes casos, a margem uretral pode ser avaliada por exame de congelação,
antes da confecção da neobexiga. A experiência da
Duke University mostra que a presença de ECTA na uretra apresenta
o mesmo impacto na sobrevida que os pacientes com T0 uretral, ou seja,
sobrevida de 70% em 5 anos. 8. A função hepática
deve ser boa (TP, TGO, TGP normais), uma vez que é comum reabsorção
parcial de metabólitos pela neobexiga, com possível sobrecarga
hepática. 9. A função renal deve ser boa, com "clearance"
de creatinina maior que 60 ml/minuto e creatinina sérica menor
que 1.7-1.8 mg/dl. Em casos de uremia com hidronefrose aguda (parênquima
renal preservado), é necessário que o paciente seja submetido
a uma derivação urinária temporária (nefrostomia
percutânea). Na reavaliação do paciente, deve-se confirmar
a melhora do clearance de creatinina, antes da realização
da derivação urinária continente. O resultado com
este tipo de cirurgia é recompensado pela satisfação
do paciente e do cirurgião. No Hospital do Câncer - AC Camargo
já foram realizados mais de 30 procedimentos, com resultados que
podem ser considerados bons, salvo quando a cirurgia não foi indicada
segundo as recomendações expostas acima. No primeiro insucesso,
o paciente tinha hidronefrose unilateral e creatinina limítrofe
de 1,8 mg/dl. Neste caso, a indicação foi forçada
por motivos sociais, pois o paciente tinha deficit intelectual e dependência
de seus familiares. Paciente evolui com pionefrite e quadro séptico.
Foi submetido a nefrectomia total de urgência e ureterostomia cutânea
contralateral, com conseqüente desfuncionalização do
reservatório. O segundo insucesso, uma mulher jovem, portadora
de lúpus eritematoso, que apresentou queda progressiva da função
renal no pós-operatório tardio. Nos demais casos, o que
se observou foi uma progressiva adaptação dos pacientes
com a neobexiga ortotópica durante o primeiro ano da cirurgia.
Há boa continência diurna, mas com necessidade de proteção
noturna (fralda ou uropen), pois estes pacientes são mais vulneráveis
a pequenas perdas intermitentes durante o sono.O paciente deve ser orientado
para urinar sentado afim de que possa relaxar o períneo. Também
deve ser ensinado a manobra de Credé, ou seja, compressão
do hipogástrio com as mãos para melhorar o esvaziamento
vesical. Deve-se evitar o resíduo pós-miccional, pois é
a causa mais importante para infecção do trato urinário
nestes pacientes.ConclusõesA cistectomia radical com reservatório
urinário continente representa um grande avanço da cirurgia
urológica, pois pode oferecer ao paciente uma forma de micção
semelhante a sua pré-operatória, sem a necessidade de urostomia
e bolsa coletora abdominal.A quimioterapia neo-adjuvante e adjuvante são
plenamente justificadas para uso terapêutico no CB invasivo, pelas
altas taxas de recorrência sistêmica. A quimioterapia ainda
não é aplicável com sucesso aos pacientes por diversas
razões, que variam desde a toxicidade causada pelas associações
das drogas, até a manutenção da sua eficácia
em resultados tardios. Novas drogas são objeto de intensa pesquisa
clínica que serão testadas para sua utilização
rotineira nestes pacientes.
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